terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Sintomas

Hoje, a Margarida Cabral, escreveu o seguinte na área da coordenação:

Julgo dever prolongar a minha curta intervenção deixando aqui uma observação que já manifestei, aliás, no Fórum de ESR.

Apesar de estar a dedicar 5/6 horas por dia ao MPEL na verdade não tenho conseguido tirar proveito de um modelo que se pretende colaborativo. Como bem sabem, atender ao que os colegas já escreveram e refutar ou complementar esta informação parce-me ser o mais interessante nos Fóruns. No entanto, a nível pessoal, já não é possível fazer isto uma vez que não dá tempo para ler a informação sugerida e organizar uma intervenção tendo em consideração o que já está escrito - o que dá enorme trabalho mas (assim o entendo) é muito mais útil. De facto, não me mobiliza ler "n" mensagens que se repetem...imagino o que é para o tutor ter de fazê-lo. Entendo que em e-learning a avaliação tem de considerar actividades de grupo contudo as tarefas solicitadas para o efeito têm de ser muito concretas e considerando já a organização de pequenos grupos de trabalho com discussão posterior em fórum. Será mais fácil gerir em simultâneo mais do que uma solicitação por parte dos tutores organizando
as tarefas desta forma (Receio não conseguir tornar mais clara esta ideia).


Respondi do modo que se segue, mas com alguma inquietação, confesso. Não queria ser mal percebido. Mas fica-me a sensação de que há por aqui coisas estranhas em termos de modos de estar.


Secundo as perspicazes e sensatas palavras da Margarida. Todos nós já nos demos conta da questão que ela enuncia: é humanamente impossível ler e digerir, como deve ser, tudo aquilo que os colegas escrevem, e depois glosar a propósito. Estou a referir-me, é claro, aos fóruns das 4 cadeiras.

Este tipo de ensino/aprendizagem propicia e estimula o que denomino “o faz de conta”, o “épater le bourgeois”. Por que é fácil eu pegar numa frase de um colega para a partir dela expor o meu ponto de vista, a favor ou contra. A frase ou o pensamento do colega podem ser, e certamente serão, bons pretextos para escrevermos aquilo que queremos dando a sensação de que estamos em interacção com alguém. E como esta interacção é um critério de avaliação, naturalmente que se vicia o que à partida poderia ser muito saudável. Há aqui, parece-me, uma subversão de valores.

No módulo de ambientação escrevi um dia sobre a “participação a qualquer preço”. O preço aqui é pesado, pelos vistos.

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2 comentários:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Olá. Chamo-me Paula Pinheiro.
Fui estudante da 1ª edição deste Mestrado em Pedagogia do e-Learning, na Universidade Aberta. Vim parar aqui, a este blogue, quando andava a pesquisar na Net sobre e-learning. Li estas palavras e pareceu-me reviver conversas passadas, reflexões que tivemos nós, os anteriores estudantes deste mestrado. Há de facto muita coisa aqui que não funciona, neste modelo de aprendizagem colaborativa posto em acção na UA.
Queixámo-nos disto, mas também da falta de feedback na avaliação, da ausência de moderação eficaz e funcional, da má perspectivação de tempos e volume de trabalho e... surpreendentemente... do progressivo abandono a que os estudantes foram votados por parte dos docentes e, em particular, da coordenadora, professora Lina Morgado que praticamente deixou de responder a questões na plataforma Moodle, dentro da Coordenação do MPEL, deixando os seus estudantes angustiados, com o ónus de estarem à distância, na transição para o segundo ano.
As coisas só foram correndo cada vez pior... para os estudantes, claro... em particular para os que muito trabalhavam, deixando que a desilusão se apoderasse de muitos deles.
A avaliação mostrou-se extraordinariamente questionável, sendo quase por obrigação que a publicitação das pautas de classificação das disciplinas se efectuou - e nem de todas.
E disto falo com à-vontade e muita amargura... acabei a parte curricular com média de 18, sem favor nenhum... porque trabalhei arduamente, muitas horas por dia, todos os dias. Sabíamos das classificações em cima do encerramento do trimestre seguinte, queixando-se os estudantes de não poderem assim ter noção das suas fragilidades e do que deveriam melhorar.
Como já disse nada mudou para melhor... antes pelo contrário.

Eu desisti... simplesmente desisti. Tenho 44 anos e nunca tive de facto uma experiência assim em nenhum dos lugares de aprendizagem que frequentei, nem sequer antes do 25 de Abril.
Estou neste momento a estudar a transferência para outro mestrado, onde possa fazer uma investigação séria e devidamente orientada, sentindo que quando me avaliam sabem de facto o que eu fiz e não o fazem de cor, por alto, sem terem lido o meu trabalho.
Porque, convenhamos, não é pela UA ter sido este mau exemplo, esta desilusão, este lugar de falta de ética e de falta de profissionalismo docente que vou deixar de gostar de aprender sobre e-learning...

Tinha fechado esta porta na minha vida... mas hoje, especialmente hoje, ao ler estas vossas palavras, alguma coisa me fez explodir.
Apenas porque custa muito que haja quem não tenha aprendido com os péssimos momentos que nos obrigaram a passar, em especial àqueles que puxaram demasiado tempo a carroça da aprendizagem colaborativa.

A ética, a aprendizagem colaborativa, entre outros conceitos que certamente andam estudando, não estão errados e o online não os torna diferentes... no ambiente online, em situações de e-learning, mais uma vez, são as pessoas e o seu nível de formação pessoal (mais até que o profissional) que fazem a diferença. Cheguei assim a este Mestrado e aqui pude verificar todos os dias a justeza desta noção.

Um genuíno abraço e votos de sucesso... e sejam atentos, por favor.