segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

A propósito da persistência da oralidade

O que se segue foi publicado na cadeira de CE, a propósito da obra de Lévy. Porque a temática que se enuncia se relaciona com o ensino a distância, parece-me oportuno transportá-la para aqui.


A propósito da persistência da oralidade de que nos fala Pierre Lévy...


O professor ensina e o aluno aprende, ou dito de outro modo, os professores falam e os alunos ouvem. Tem sido esta a natureza e a essência do ensino.

Por isso, o saber académico, a cultura escolar é fruto, essencialmente, da transmissão oral. É certo que os alunos (alguns!) também lêem livros… O saber escolar, é assim, também, complementado livrescamente. Mas, na sua génese, está a transmissão oral.

Algo completamente distinto acontece agora com a aprendizagem baseada em sistemas de ensino a distância, onde a oralidade desapareceu (pelo menos não é evidente, para já), ou tem uma expressão muito diminuta. Agora os professores não falam e os alunos ouvem. Agora, ambos escrevem. O que é que isto quer exactamente dizer? É o meio, ou seja, é a tecnologia que impõe o meio de transmissão? Não parece. De onde vem então esta supremacia da escrita sobre a oralidade em sistemas de ensino desta natureza?

Isto que estou aqui a escrever poderia tê-lo “dito”. Porque não o faço? Porque não o fiz?

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

MED - Actividade 1 - Glossário


John Dewey ficou conhecido como o grande filósofo da educação moderna. Procurou conjugar a investigação em áreas muito variadas com projectos comunitários diversos.


Escreveu um número ainda significativo de obras, muitas delas traduzidas para Português. Foi um dos precursores da ideia de criar uma ciência que se ocupasse com o resultado das pesquisas e das aprendizagens no processo educativo.


A ideia básica do pensamento de John Dewey sobre a educação está centrada no desenvolvimento da capacidade de raciocínio e espírito crítico do aluno (educação progressiva). É também considerado um dos fundadores da escola filosófica do Pragmatismo pelo facto de considerar que a experiência pode ser usada como juízo de valor da verdade. Mas foi no campo da Filosofia da Educação que mais se salientou.

Retomou de Rousseau a importância do indivíduo e de Platão a influência da sociedade, defende, na linha de Vigotsky, o conhecimento e o seu desenvolvimento como um processo social, e integra os conceitos de sociedade e de indivíduo.
Os indivíduos só têm sentido quando fazem parte de uma comunidade, e esta só tem sentido com a participação daqueles.

Embora o pensamento de Dewey tenha sido bastante popular, nunca foi amplamente integrado nas escolas públicas norte-americanas.


Obras mais conhecidas:

Psychology (1887; Psicologia); My pedagogic creed (1897, Meu Credo Pedagógico); Psychology and Pedagogic method (1899; Psicologia e Método Pedagógico); The School and Society (1899; A Escola e a Sociedade); How we think (1910; Como pensamos); Democracy and education (1916; Democracia e educação; Reconstrucion in philosophy (1920; Reconstrução na filosofia); Human nature and conduct (1922 Natureza humana e conduta); Philosophy and civilization (1931 Filosofia e civilização); Art as experience (1934; A arte como experiência); Logic, the teory of inquiry (1938; Lógica, a teoria da investigação); Freedom and culture (1939; Liberdade e cultura); Problems of men (1946; Problemas dos homens.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

MED - Actividade 1


Li o capítulo I “Quality and acess in distance education:theorethical considerations” da autoria de D. Randy Garrison, do livro de Keegan, D. (1993) (Ed). Theoretical principles of Distance Education.


Vou procurar sistematizar as ideias que o texto despertou.

Em primeiro lugar é necessário dizer que se trata de um texto datado. Ou seja de 1993. Como sabemos, o que então se passava no mundo do ensino a distância não oferece qualquer termo de comparação com a situação com que hoje nos deparamos. O texto perspectiva a existência de dois paradigmas, o dominante e o emergente. Aquele privilegia a questão da acessibilidade e da independência, enquanto que este valoriza a qualidade das interacções educativas, nomeadamente a natureza e a frequência da comunicação (professor- aluno e aluno-aluno).

A evolução que se tem operado em termos tecnológicos remete-nos para a existência de tecnologias já em grau de desenvolvimento muito avançado que permitem superar muitas dos problemas que provavelmente se colocariam há uma dúzia de anos (e alguns deles ainda não se colocavam) e que presentemente não têm razão de ser. Em qualquer dos casos é vital que no ensino a distância a acessibilidade aconteça. Presentemente ela está tão democratizada que já não existem desculpas para que se cultive a imagem do aprendente solitário. A comunicação mediatizada pelo computador, de incidência escrita e reflexiva, tornou-se um referencial. Certamente que em muitos casos se banalizou de tal modo que acabou por perder o peso e o significado. Esse é seguramente um alerta que urge fazer á navegação: o canto da sereia da tecnologia pode comprometer seriamente significativas experiências sociais de aprendizagem!

No ensino a distância o processo de comunicação entre professor e aluno é caracterizado pela mediação, sendo a ausência do tradicional relação face-a-face, geralmente apontada como uma debilidade.

Por outro lado, o debate sobre esta problemática tem-se entrincheirado em perspectivas simplistas e redutoras, centradas nas questões da acessibilidade e da qualidade, justificadas por diferentes concepções filosóficas.

A questão da qualidade do ensino a distância não é fácil de avaliar, pois encontramos critérios diversos, em função dos educadores ou das instituições. Podemos deparar com situações que incluem “pacotes” bem estruturados e desenhados, com objectivos bem predefinidos, até modelos que apostam em sistemas de comunicação com maior ou menor grau de mediação.

Em qualquer dos casos, a qualidade da aprendizagem é necessariamente afectada quer pelos materiais de apoio, quer pela manutenção de interacções entre professor e aluno. Os materiais podem ser equacionados quer em termos de fontes de apoio à aprendizagem quer como recursos que potenciam e estimulam a reflexão e a interacção. Por sua vez a aposta na integração e na construção de novos conhecimentos leva o aluno a assumir a responsabilidade de construir aprendizagens com sentido.

A relação que se estabelece entre professor e aluno no processo de aprendizagem pode ser perspectivada, no ensino a distância, em termos de independência e interacção. Os adeptos da independência viram nela, durante muito tempo, um objectivo nobre e último e, do seu ponto de vista, quanto melhor estivesse desenhado um modelo de ensino, maior seria a independência do aprendente e menor a interacção. Porém, presentemente, é entendida como uma função cognitiva, devolvendo-se ao aluno a responsabilidade da construção de aprendizagens significativas, quer colaborativa quer interactivamente.

Há autores que, em vez de independência, preferem o conceito de controlo, entendido como a oportunidade de influenciar decisões educativas, privilegiando-se a interacção entre professor-aluno-currículo. A interacção é perspectivada como um mecanismo que facilita aprendizagens críticas. O doseamento do controlo é também um elemento a ter em consideração: nem em excesso nem em defeito.

Realce-se, porém, que a comunicação é de duplo sentido, privilegiando-se na interacção as aprendizagens académicas e formais, mas colocando as interacções não académicas e informais, ao serviço daquelas e da criação de um sadio ambiente propiciador da construção de uma verdadeira comunidade de aprendizagem.

Interacção e qualidade são, de certo modo, a pedra de toque de qualquer sistema de ensino a distância, só possível com alunos responsáveis e com professores empenhados, através de um diálogo crítico e construtivo, tendo em vista a construção de experiências significativas de aprendizagem.

Como inicialmente referi o texto é muito datado e hoje não seria possível escrevê-lo nesta perspectiva tão antitética de dois paradigmas. O mundo mudou muito na última dúzia de anos. Assim como nós e os sistemas de ensino a distância. E ainda bem!

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Blogues


Giuseppe Granieri é um especialista em comunicação e cultura digital e autor do livro ‘Geração Blogue’ (publicado pela Editora Presença, 2006).

Link para o seu blog

Entrevista radiofónica


Entrevista do Jornal Expresso

P O que poderemos esperar da Internet em 2007?
R É muito difícil imaginar o que poderá mudar durante um ano numa infra-estrutura em que qualquer pessoa pode introduzir inovações. De qualquer maneira, 2007 poderá ser o ano das métricas. Nenhum novo meio poderá afirmar-se até que se consiga medir os seus efeitos. Acresce que números rigorosos permitem medir o mercado. O próximo ano será ainda o momento dos sistemas de pesquisa social, tal como já foi anunciado pelo fundador da Wikipedia, Jimmy Wales.


P O que destaca na rede em 2006?
R Depois da época áurea (2002-2005) vivida por todos aqueles que escreviam publicamente na web, 2006 foi o ano dos cidadãos que produzem vídeos. Com o tempo acabaram por dominar melhor a expressão através das imagens em movimento.


P O que gostaria de fazer na Internet mas que ainda não é possível?
R O que mais precisamos neste momento tem de ser feito fora da Internet. Colaborar na actualização dos nossos sistemas de educação, na medida em que estamos a criar o ambiente cultural em que os nossos filhos encontrarão a sua própria visão do mundo. Terá chegado o momento dos professores voltarem aos bancos da escola.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Sintomas

Hoje, a Margarida Cabral, escreveu o seguinte na área da coordenação:

Julgo dever prolongar a minha curta intervenção deixando aqui uma observação que já manifestei, aliás, no Fórum de ESR.

Apesar de estar a dedicar 5/6 horas por dia ao MPEL na verdade não tenho conseguido tirar proveito de um modelo que se pretende colaborativo. Como bem sabem, atender ao que os colegas já escreveram e refutar ou complementar esta informação parce-me ser o mais interessante nos Fóruns. No entanto, a nível pessoal, já não é possível fazer isto uma vez que não dá tempo para ler a informação sugerida e organizar uma intervenção tendo em consideração o que já está escrito - o que dá enorme trabalho mas (assim o entendo) é muito mais útil. De facto, não me mobiliza ler "n" mensagens que se repetem...imagino o que é para o tutor ter de fazê-lo. Entendo que em e-learning a avaliação tem de considerar actividades de grupo contudo as tarefas solicitadas para o efeito têm de ser muito concretas e considerando já a organização de pequenos grupos de trabalho com discussão posterior em fórum. Será mais fácil gerir em simultâneo mais do que uma solicitação por parte dos tutores organizando
as tarefas desta forma (Receio não conseguir tornar mais clara esta ideia).


Respondi do modo que se segue, mas com alguma inquietação, confesso. Não queria ser mal percebido. Mas fica-me a sensação de que há por aqui coisas estranhas em termos de modos de estar.


Secundo as perspicazes e sensatas palavras da Margarida. Todos nós já nos demos conta da questão que ela enuncia: é humanamente impossível ler e digerir, como deve ser, tudo aquilo que os colegas escrevem, e depois glosar a propósito. Estou a referir-me, é claro, aos fóruns das 4 cadeiras.

Este tipo de ensino/aprendizagem propicia e estimula o que denomino “o faz de conta”, o “épater le bourgeois”. Por que é fácil eu pegar numa frase de um colega para a partir dela expor o meu ponto de vista, a favor ou contra. A frase ou o pensamento do colega podem ser, e certamente serão, bons pretextos para escrevermos aquilo que queremos dando a sensação de que estamos em interacção com alguém. E como esta interacção é um critério de avaliação, naturalmente que se vicia o que à partida poderia ser muito saudável. Há aqui, parece-me, uma subversão de valores.

No módulo de ambientação escrevi um dia sobre a “participação a qualquer preço”. O preço aqui é pesado, pelos vistos.

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segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Oralidade

A escrita, escreveu Ong, reestrutura a consciência. Não direi que a minha já se encontra suficientemente reestruturada, pelo facto de hoje, de certo modo, abdicar da escrita.
Faço assim, uma incursão na oralidade, tão ao gosto de Ong. Não porque ele me tenha convencido da "superioridade" do timbre da voz (que por sinal não está nada famosa, em virtude da gripe que também me bateu à porta), mas pela necessidade de mudar de quadrante, de experienciar outros continentes. Porque o teclar há-de vir certamente um dia destes a deixar de ter o peso que presentemente tem. Digo eu...
Aqui fica o link.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Pontapé de saída

Não se pode dizer que seja propriamente um novato nestas andanças da blogosfera, pois há mais de três anos que venho alimentando o dois dedos de conversa.
Pelo caminho têm sido construídas outras coisas, de que se dá conta na lista de links, aqui mesmo ao lado.
No campo da blogosfera a produção é diversa, mas nem sempre com os resultados desejáveis, como se comprova aqui. Daí, a minha opção pela inscrição no grupo que em EAT irá tratar esta problemática.
Um projecto de parceria "Etwinning" com França encontra-se numa fase de arranque: A cor da lusofonia

A criação deste espaço é não só a resposta a um desafio como constitui simultaneamente um processo de ir sistematizando o percurso que o mestrado em e-learning me está a proporciononar.
Vai ser certamente uma caminhada dura e longa. Para um corredor de fundo, ainda por cima veterano como eu, espero que isso não constitua um óbice.